Tim Lopes -  Tristeza e Revolta

iA confirmação da morte de Tim Lopes, ontem à tarde, causou comoção não só entre amigos e familiares, mas em cada cidadão brasileiro. Entidades internacionais como a Sociedade Interamericana de Imprensa e a organização mundial Repórteres Sem Fronteiras (RSF), baseada em Paris, prestaram solidariedade à família.

Em pronunciamento ontem à noite, o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, disse que o crime causa indignação a todos os brasileiros. ''É preciso colocar um ponto final nestas barbaridades'', declarou.

O ministro da Justiça, Miguel Reale Júnior, também reagiu ao assassinato: determinou ontem o deslocamento para o Rio de Janeiro de helicópteros e do Comando de Operações Táticas da Polícia Federal, para auxiliarem na força-tarefa já formada para o combate ao tráfico no Estado. Reale Júnior quer a prisão de todos os responsáveis pelo crime. ''Impedir a impunidade é fundamental para a paz social'', ressaltou o ministro, que também informou que a Polícia Federal vai continuar com seu trabalho de inteligência no caso. ''Este fato atinge a todos nós, a mim e a toda a sociedade brasileira'', comentou.

A governadora do Rio de Janeiro, Benedita da Silva, defendeu a ação da polícia na investigação do crime. E disse que a polícia do Rio ''continuará incansável na apuração do crime até que tudo seja completamente esclarecido.''

''Ultrapassamos a barreira do suportável. O bandido não poupa nem quem muitas vezes o ajuda, como é o caso do jornalista Tim Lopes. Não há mais limites. O Estado precisa se impor'', disse Octavio Gomes, presidente da OAB do Rio de Janeiro. ''A constituição federal diz que segurança é dever do Estado e direito do cidadão'', continuou.

Nacif Elias, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, acredita que os profissionais da área não devem se intimidar com o assassinato de Tim. ''Num primeiro momento vamos ter medo, mas não podemos aceitar. Comparo com a ditadura, quando tiravam o repórter da redação e ele nunca mais voltava. A imprensa não pode ficar calada e o povo do Rio precisa de paz'', disse Nacif.

 

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